domingo, 31 de maio de 2026

Adaptação Hedonica

 A adaptação hedônica (também conhecida como "esteira hedônica") é a tendência humana de retornar rapidamente a um nível base de felicidade após eventos significativos, sejam eles positivos ou negativos. Quando algo bom ou ruim acontece, a intensidade emocional diminui com o tempo e a mente se reequilibra. [1, 2, 3]

Como funciona
Após uma grande conquista (como um aumento salarial) ou uma tragédia, o cérebro se acostuma com a nova realidade. No caso positivo, o que antes trazia muita alegria passa a ser visto como o novo "normal", gerando novas necessidades e desejos. Esse mecanismo regula nosso estado emocional para evitar que fiquemos eufóricos ou deprimidos o tempo todo. [1, 2, 3, 4]
A armadilha do consumo e como driblá-la
Esse processo explica por que bens materiais raramente trazem felicidade duradoura. Na busca por burlar a adaptação hedônica, a psicologia recomenda: [1]
  • Focar em experiências: Viagens e novas habilidades geram menos adaptação que bens materiais.
  • Praticar a gratidão: Reconhecer o que se tem no presente ajuda a valorizar o cotidiano.
  • Variar as recompensas: Interromper temporariamente certos prazeres faz com que, ao voltar a consumi-los, a sensação de novidade e prazer seja reativada. [1]
Compreender esse mecanismo pode ajudar a evitar a busca incessante por coisas que não trazem felicidade permanente. Assista a este vídeo para entender como a adaptação hedônica atua no dia a dia: copiado do sitt

terça-feira, 21 de abril de 2026

importância da Lava-Jato”

Análise de José Padilha, colunista de O Globo, sobre o Mecanismo de Exploração da Sociedade Brasileira 

Vinte e sete enunciados sobre a oportunidade de desmontar o mecanismo de exploração da sociedade brasileira

01) Na base do sistema político brasileiro, opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do Estado e grandes partidos políticos. 

02) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no Legislativo, no Executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

03) No Executivo, ele opera via superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e às empresas estatais.

04) No Legislativo, ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.

05) O mecanismo existe à revelia da ideologia.

06) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.

07) Foi o mecanismo quem manipulou as massas para eleger: o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

08) No sistema político brasileiro, a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.

09) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele têm poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos ou re-eleitos.

10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que têm valores incompatíveis com a corrupção tendem a ser eliminados do sistema político brasileiro pelo mecanismo.

11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.

12) A grande maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)

13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em xeque o funcionamento do mecanismo.

15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.

16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.

17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o Estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.

18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.

19) Embora o mecanismo não possa conviver com um Estado eficiente, ele também não pode deixar o Estado falir. Se o Estado falir o mecanismo morre.

20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos de ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...

21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção. (Pense no foro privilegiado. Pense no fato de que apesar de mais de 500 parlamentares terem sido investigados pelo STF desde 1998, a primeira condenação só tenha ocorrido em 2010.)

22) A operação Lava-Jato só foi possível por causa de uma conjunção improvável de fatores: um governo extremamente incompetente e fragilizado diante da derrocada econômica que causou, uma bobeada do parlamento que não percebeu que a legislação que operacionalizou a delação premiada era incompatível com o mecanismo, e o fato de que uma investigação potencialmente explosiva caiu nas mãos de uma equipe de investigadores, procuradores e de juízes, rígida, competente e com bastante sorte.

23) Não é certo que a Lava-Jato vai promover o desmonte do mecanismo. As forças politicas e jurídicas contrárias são significativas.

24) O Brasil atual está sendo administrado por um grupo de políticos especializados em operar o mecanismo, e que quer mantê-lo funcionando.

25) O desmonte definitivo do mecanismo é mais importante para o Brasil do que a estabilidade econômica de curto prazo.

26) Sem forte mobilização popular, é improvável que a Lava-Jato promova o desmonte do mecanismo.

27) Se o desmonte do mecanismo não decorrer da Lava-Jato, os políticos vão alterar a lei, e o Brasil terá que conviver com o mecanismo por um longo tempo."  

Depois desta leitura se você se sentir impotente, ACREDITE que VC pode fazer história. Continue lutando da maneira possível. Copiado do site 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Conhecimento e domínio das técnicas de expressão corporal acrescentam valor aos relacionamentos em qualquer ambiente

É importante estar atento à linguagem corporal,  ela revela mais do que se possa imaginar. Contato visual, movimentos, expressão facial, posturas, gestos.O corpo fala. Na maioria das vezes, não dmos atenção na linguagem corporal. porém, ela revela mais do que se possa imaginar. O pioneiros no estudo da linguagem, o professor da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), Albert Mehrabian, e o antropólogo Ray Birdwhistel são referência mundial no assunto. Aprender como lidar com o nosso gestual é um diferencial nas relações sociais. Jennifer Lobo, coach de relacionamento e comportamento, primeiro explica que linguagem corporal é uma forma de comunicação não verbal extremamente importante porque “complementa aquilo que expressamos verbalmente”. E ela, simplesmente, transmite tudo. “Os gestos, o corpo e o olhar transmitem os reais sentimentos e pensamentos. Quantas vezes, para agradar a alguém, dizemos algo em que não acreditamos? As palavras passam pelo nosso racional, mas o verdadeiro sentimento é demonstrado pelo corpo. Observe alguém que está contando uma mentira. Normalmente, as mentiras já são mais elaboradas verbalmente, repletas de detalhes, mas a pessoa, invariavelmente, vai desviar o olhar do interlocutor, ou olhar para cima, para baixo.... Se isso ocorrer, desconfie. Uma das formas de obter a confiança do interlocutor é o 'olho no olho'. E não é algo fácil para todos, inclusive por timidez.” A coach de comportamento explica que as pessoas são únicas em suas expressões verbais e não verbais, mas alguns gestuais são comuns. “Cruzar os braços para se colocar na defensiva ou demonstrar que não está aberto a opiniões diferentes das suas. Um interlocutor que aproxima o rosto e coloca o tronco para a frente demonstra interesse e atenção naquilo que falamos. Uma pessoa que anda sem olhar para o chão, de forma decidida, revela confiança. Um aperto de mão firme denota o mesmo sentimento. Falar com calma, articulando bem as palavras, passa credibilidade. O famoso franzir de testa traduz uma certa irritação. Esses gestos são comuns e saber identificá-los é importante para os relacionamentos.” OBSERVAÇÃO Entre as linguagens, a do olhar é uma das mais reveladoras. Jennifer Lobo explica o porquê: “Até conseguimos conter os gestos, mas não os sentimentos expressos com o olhar. Ele é extremamente revelador. Aqueles que procuram (e conseguem) enxergar no olhar a veracidade daquilo que está sendo dito são privilegiados. Com muito exercício e observação, você conseguirá até perceber o que o seu próprio olhar expressa enquanto está falando.” Logo, é possível dominar a expressão para não ser prejudicado. É possível e necessário dominar a linguagem corporal para ser beneficiado por ela. Não ter consciência da sua importância é prejudicial. “O conhecimento e o domínio das técnicas de expressão corporal acrescentam valor aos relacionamentos em qualquer ambiente.” Assim, analisar e aprender como lidar com o gestual é um diferencial nas relações sociais. “Quem acredita em alguém que não se expressa corretamente, fala de forma atabalhoada, sem coerência de pensamentos? Isso também vale para as relações sociais e amorosas. Com o corpo demonstramos os sentimentos, principalmente nos relacionamentos amorosos. Ele vai expressar o interesse pelo parceiro, a incompreensão, a impaciência, o nível de abertura, o momento de iniciar e encerrar uma discussão. Tão ou até mais importante do que as palavras que usamos, os gestos, a postura e a expressão facial revelam mais do que podemos supor ou pretendemos demonstrar. Então, cuidado para não afastar o parceiro com uma 'revirada de olhos'.” a linguagem corporal no ambiente de trabalho. “Ela tem um poder imenso. É preciso saber se posicionar no ambiente corporativo. Atentar para a postura, tom de voz e gestos. Em todas as ocasiões, é necessário transmitir segurança e positividade e ter o conhecimento das técnicas que vão diferenciá-lo dos demais. Em uma entrevista de emprego, além de passar segurança ao recrutador, é preciso demonstrar interesse. Nada de cruzar os braços, dar um aperto de mão sem firmeza, olhar para baixo. É fundamental usar a linguagem adequada e transmitir coerência de pensamentos. O mesmo vale para uma apresentação. A maioria detesta e fica apavorada só com a ideia de falar em público, subir no palco. Para muitos, é assustador. Mas há técnicas para lidar com esse tipo de medo. Nada pior do que uma pessoa com o corpo imóvel, fazendo uma apresentação como se lesse um texto decorado. É necessário interagir com a plateia, conquistar a atenção, desenvolver a empatia. Muitos exercícios e o domínio das técnicas de expressão corporal facilitam a vida e se traduzem em uma qualificação extremamente importante no ambiente profissional.” ) Qualquer pessoa pode interpretar a linguagem corporal? No que deve estar atento? Todos são especialistas em linguagem corporal (sabemos, por exemplo, determinado comportamento de uma pessoa, o que ela pretende, principalmente cônjuge ou próximos). O que o estudo dessa ciência faz é aperfeiçoar o indivíduo para descodificar todos os gestos. Porém, deve-se ter cautela. Ninguém está apto a interpretar corretamente todos os gestos sem o devido estudo e até mesmo anos de prática. A linguagem corporal nada mais é que uma exteriorização de nosso consciente, e ela se desenvolve constantemente e devemos estar atentos em qualquer gesto que possa denotar agressividade ou tomada de decisão premeditada. São inúmeros, e cada qual tem sua peculiaridade e não teríamos condições de listar todos aqui. 2) É possível 'mentir' na linguagem corporal? Sim! Os bons 'mentirosos' da linguagem corporal são os atores. Eles conseguem exteriorizar a emoção na linguagem corporal devido a anos de prática. Para que uma pessoa minta na linguagem corporal é a mesma situação. Ela requer treino e precisa veementemente acreditar no que diz para que o corpo exteriorize da mesma forma e não mostre incongruências ou atos de falha. Esse treino para mentir varia de personalidade para personalidade. Pessoas tímidas jamais conseguem mentir na linguagem corporal. 3) Qual a importância da linguagem corporal no ambiente corporativo, no trabalho? A linguagem corporal hoje em dia no ambiente corporativo é uma competência mais importante que uma segunda língua. Com o conhecimento da ciência, podemos ser resolutivos em negociações, reuniões etc. É importantíssimo termos em mente o que o “outro” pretende e, principalmente, podermos definir possíveis 'personalidades de risco'. 4) A linguagem corporal pode definir, interferir ou ajudar nas relações pessoais? Sim. Em uma negociação, por exemplo. Seu oponente jamais vai dar margem máxima para fechamento do negócio se notar (mesmo que inconscientemente) que você está temeroso ou mostrando nervosismo. Nas relações pessoais a mesma coisa. Principalmente em situações de risco. Um assaltante, notando que você está com as pernas 'bambas' e mostrando medo, vai interpretar que ele tem poder sobre você e seu trabalho está tranquilo. Tanto nas duas situações, como em inúmeras outras, aqueles que têm esse tipo de atividade constantemente sabem interpretar a linguagem corporal, pelos anos de prática. 5) Quais os gestos mais comuns e o que eles 'falam'? Um dos gestos que mais vemos no dia a dia é do polegar segurando o queixo e o indicador levantando a bochecha. Quem mostra esse gesto está tendo pensamentos críticos sobre você ou sobre o tema tratado. É notadamente visto em reuniões ou até mesmo em conversas das mais simples. Outro gesto é sobre os pés. Em uma conversa, repare sempre para onde estão voltados os pés da pessoa. Os pés apontam para onde nossa mente está. Quando alguém está frente a frente com você, e ela, a todo custo, quer sair da conversa, seus pés, direcionam-se para fora do seu ângulo, voltado muitas vezes para a abertura mais próxima que existir. Sua mente exterioriza sua verdadeira intenção. Além das conversas, esse tipo de gesto ocorre muito na paquera, porém, é outro assunto a ser tratado. Saiba mais Preste atenção aos sinais » Sentar-se da forma adequada de acordo com o ambiente, sem se expor demais, demonstra educação » Ficar em pé sem os braços cruzados ou mãos nos bolsos transmite confiança e segurança » Andar com elegância, mesmo com saltos altíssimos, sem muito movimento nos quadris e sem olhar para o chão, projeta positividade » O corpo sempre deve ser movido com suavidade, sem movimentos bruscos ou dramaticidade. Ritmo acelerado ou agressivo gera uma sensação de estresse e de falta de confiança » Levar a mão à boca enquanto fala ou desviar o olhar do interlocutor passa a impressão de mentira » Um olhar sem foco pode demonstrar confusão, como quem procura uma imagem mental para apoio » A famosa revirada de olhos denota irritação e desprezo » Contrair a testa significa tensão, dúvida ou nervosismo, um ponto muito negativo » Cruzar os braços afasta os outros, representando a imposição de uma barreira física, ou seja, nenhuma abertura quanto àquilo que está sendo dito » Um aperto de mão firme demonstra confiança » Falar com calma, articulando bem as palavras e mantendo a tranquilidade, transmite credibilidade None Para ler... O livro O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não verbal, dos autores Pierre Weil e Roland Tompakow, da editora Vozes, tenta desvendar a comunicação não verbal do corpo humano, primeiramente analisando os princípios subterrâneos que regem e conduzem o corpo. A partir desses princípios, aparecem as expressões, gestos e atos corporais que, de modos característicos estilizados ou inovadores, expressam sentimentos, concepções ou posicionamentos internos. Acompanham 350 ilustrações, distribuídas em 288 páginas. Publicidade. referencia: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=7894200909016827925&pli=1#editor/target=post;postID=95713259754251229 Blogs

segunda-feira, 30 de março de 2026

Manipulação de massa

da Recursos diversos  podem inclusive ,ser usados para manipular e direcionar pessoas  da psicologia com o objetivo de direcionar a vontade de pessoas ou a "massa do povo" fazendo



 quem quiser provocar novas crenças e comportamentos em alguém precisa criar situações que exijam reações automáticas, pois nelas o processo consciente é desativado.
Não é força, é jeito
Existem duas maneiras de deixar o sujeito estressado, frágil, cansado e, consequentemente, mais aberto a novas ideias. A primeira é a lavagem cerebral forçada, em que isso é alcançado com tortura, privação de sono e jejum. O segundo método, mais comum, é o induzido, em que a vítima é envolvida em um “intensivão”.
Pessoas que se dizem manipuladas por igrejas e cultos religiosos descrevem um programa intenso de atividades, palestras, celebrações e tarefas como distribuir panfletos, limpar o chão, fazer comida. Imersa nessa rotina, que geralmente prevê poucas horas de sono, a vítima fica tão cansada que literalmente não tem tempo para pensar sobre o que está acontecendo.
É a mesma técnica, por exemplo, daquele vendedor tagarela que o deixa confuso e faz com que você compre uma coisa de que não precisa, só para se livrar do incômodo. Em alguns casos, antes de iniciar o processo a pessoa já está fragilizada por alguma outra situação.
“O fim de um relacionamento, um divórcio, a morte de um ente querido, até se formar na escola ou mudar de emprego pode tornar uma pessoa vulnerável, uma vez que tira o indivíduo de seu equilíbrio”, explica o psicólogo americano Steve Hassan. Ele passou 5 anos como membro de culto conhecido como “Igreja da Unificação”, composto pelos seguidores do reverendo Moon  também conhecidos como moonies. A seita ficou famosa justamente por seus métodos de recrutamento e acusações de lavagem cerebral.

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“Eu tinha me separado de uma garota e, pouco tempo depois, fui abordado por três mulheres. Elas não falaram que eram de uma religião, que acreditavam que o reverendo Moon era o Messias, nada disso. Só falaram que faziam parte de um grupo de amigos espalhado pelo mundo e me convidaram para ir a um jantar grátis”, explica Hassan.
“A partir daí, foi um processo gradual. Ir lá e conhecer os amigos delas foi um passo. Voltar e jantar, outro passo. Ir a uma palestra, voltar no dia seguinte, mais um passo. Durante esse tempo, eles perguntavam várias coisas bem detalhadas sobre mim, e eu dava, voluntariamente, informações muito pessoais, sem perceber que estava entregando as ferramentas para que me manipulassem.” Hoje, Hassan faz palestras de conscientização e presta consultoria a pessoas em situação similar à por que ele passou.
Ele chama a atenção para o fato de que, quando esse processo começa, a vítima não fica sabendo para onde está sendo levada nem quais crenças e comportamentos vai adotar no final. Mas, para que essas novas convicções sejam estabelecidas, entra em ação a segunda arma usada para tirar o córtex pré-frontal do caminho: emoções fortes.
Emoção embutida
“Quando algo provoca uma reação emocional, o cérebro se mobiliza para lidar com ela, destinando poucos recursos a reflexões”, explica Kathleen Taylor, neurologista da Universidade Oxford, em seu livro Brainswashing  The Science of Thought Control (“Lavagem Cerebral  A Ciência do Controle Mental”, sem tradução para o português). É exatamente nessa hora que a emoção pode ser ligada a uma ideia.
Durante a Guerra Fria, por exemplo, tanto capitalistas quanto comunistas se valiam de uma paranoia intensa e generalizada para vender conceitos vagos, difíceis tanto de definir quanto de contestar  “liberdade,” “Estado,” “inimigo”. São ideias fortes, amplas o suficiente para você associar às emoções que quiser e que forem mais convenientes à manipulação.
Por isso se diz que a ideia é “engatada” à sensação: sempre que aquele assunto vier à tona, a sensação vem a reboque, num processo conhecido como reflexo condicionado. É o que acontece em um culto daqueles bem intensos, em que a pessoa dança, canta, grita, inunda o corpo de endorfina. Inconscientemente, a sensação de bem-estar passa a ser associada àquela religião.
Outro exemplo: um prisioneiro de guerra, depois de enfrentar tortura e jejum, é levado para tomar banho quente e fazer uma refeição enquanto escuta alguém descrevendo as maravilhas da doutrina comunista. Com a repetição do método, ele inconscientemente passará a associar comunismo a bem-estar. Se você se lembrou do filme Laranja Mecânica (1971), clássico do diretor Stanley Kubrick, acertou na mosca.
Na história, o personagem principal é um adolescente ultraviolento que se diverte torturando e estuprando por aí. Após ser preso, ele se oferece para um tratamento experimental que promete torná-lo um ser totalmente desprovido de violência.
O tratamento consiste em submetê-lo a sensações físicas desagradáveis e a imagens violentas ao mesmo tempo, forçando seu inconsciente a associar as duas coisas. No final, o personagem passa a sofrer insuportavelmente toda vez que vê tortura ou estupro. (O irônico efeito colateral é que ele também fica condicionado a vomitar quando ouve a 9ª Sinfonia de Beethoven, trilha sonora usada nos filmes da prisão.)
Esse processo não pode ser considerado lavagem cerebral, pois não muda as convicções do indivíduo. Mas é um exemplo extremo de como podemos ser condicionados a fazer relações inconscientes entre sensações e ideias.
Sob controle
Conquistada, a vítima se torna cada vez mais envolvida e dependente. O psiquiatra americano Robert P. Lifton, professor de universidades como Harvard e Yale, analisou esse processo, que ele chama de “reforma do pensamento”, e descreveu suas principais características (ver quadro “lavagem em 8 passos”, mais abaixo). Todas buscam criar um antagonismo claro: um mundo dividido entre “nós” e “eles”.
Segundo Hassan, a pessoa envolvida com esse tipo de grupo se vê aos poucos dominada por medos paralisantes que chegam ao ponto de impedir que ela questione a situação. “Os cultos de controle da mente passam a seus membros a sensação de que, se eles saírem do grupo, coisas terríveis vão acontecer. Para quem está observando de fora, parece que essas pessoas estão felizes. Acontece que, na verdade, elas são orientadas a sorrir o tempo todo. Não é uma experiência positiva perder seu livre-arbítrio, apagar sua identidade, viver com medo e com culpa.”
Vítimas de controle da mente aprendem a reprimir pensamentos “errados”, como dúvidas ou críticas ao grupo, e por isso é difícil que elas questionem sua situação. Quando lida com pessoas nesse estado, Steve Hassan costuma agir de forma indireta, perguntando, por exemplo, opiniões a respeito de outro grupo. Ele mesmo só saiu da Igreja da Unificação porque sofreu um acidente e teve que ser internado em um hospital. Seus pais aproveitaram a chance para fazer com que ele (contra sua vontade) conversasse com ex-membros do culto. “Aos poucos fui entendendo que tinha sido enganado”, lembra.
Se a história de Hassan parece muito fora da sua realidade, há um exemplo mais próximo de como é possível modificar uma pessoa a ponto de fazê-la agir contra seus instintos e convicções. Kathleen Taylor cita um sistema capaz de “transformar cidadãos  ensinados desde a infância que matar é errado  em agentes capazes de matar”: as Forças Armadas.
O processo de formação militar segue quase à risca as etapas descritas no modelo de Lifton, empregando rotina exaustiva, pressão psicológica, regras e punições rígidas e, claro, a definição de um inimigo. Isso chega ao extremo no treinamento de terroristas islâmicos, à la Al Qaeda, em que os ensinamentos militar e religioso se combinam para formar indivíduos dispostos a dar a vida em nome de uma causa.
Mas não são apenas grupos militares e religiosos que usam essas técnicas. Para o psicólogo, embora o controle da mente seja geralmente realizado por grupos, ele também pode acontecer de forma individual. Ele compara relacionamentos amorosos abusivos, em que a pessoa, influenciada pelo parceiro, passa a ter atitudes incompatíveis com as anteriores. “Esses relacionamentos podem incluir drogas, agressões físicas e isolamento da família e dos amigos. Às vezes, o apaixonado simplesmente desaparece sem dar notícias”, diz Hassan.
Mente blindada
Para a escritora Kathleen Taylor, a principal arma para evitar manipulações é, basicamente, “parar e pensar nas coisas”. Sem se deixar levar pela afobação, fica mais fácil resistir tanto ao discurso nacionalista de um político quanto ao papo emocional de um pregador religioso.
Segundo Denise Winn, autora do livro The Manipulated Mind (“A Mente Manipulada”, sem versão brasileira), um olhar bem-humorado sobre as coisas é útil para escapar da associação emocional exagerada, peça-chave da lavagem cerebral. “O humor ajuda você a ter perspectiva e sacar quem não tem. Desconfie de líderes, vendedores e experts que não conseguem rir de si próprios”, diz a jornalista.
Outro ponto importante é não subestimar a influência que o meio e a autoridade podem ter sobre nós, já medidos em experimentos clássicos de psicologia social. A necessidade de ser aceito em um grupo leva muitas vezes ao “efeito rebanho”, identificado na década de 1950 pelo psicólogo americano Solomon Asch e muito antes por quem inventou a expressão “maria-vai-com-as-outras”.
Asch fazia uma experiência bem simples: reunia um grupo de pessoas e mostrava a elas um cartão com uma série de linhas de comprimentos bem diferentes. Depois, fazia perguntas óbvias, como pedir que identificassem qual a linha mais longa. Todas as pessoas na sala, menos uma, tinham sido orientadas a escolher a mesma resposta  claramente errada. Surpreendentemente, 1 em cada 3 vítimas da “pegadinha” concordava com o grupo, mesmo sabendo que estava escolhendo a opção incorreta.
Em 1963, o psicólogo Stanley Milgram conduziu um experimento para medir autoridade. Universitários eram instruídos a aplicar choques elétricos cada vez mais fortes em um “voluntário” (na verdade um ator) toda vez que ele errasse a resposta a uma pergunta. O estudante era orientado por um pesquisador (outro ator), que dizia para que ele continuasse, independentemente do “sofrimento” da suposta cobaia  que, claro, estava apenas fingindo levar choques.
Quantas pessoas chegariam ao ponto de aplicar os choques poderosos, correndo o risco de matar o “voluntário”? Cerca de 1 ou 2%, imaginou Milgram. Resultado: dois terços dos estudantes levaram a experiência até o fim, obedecendo às ordens do “pesquisador”  a figura de autoridade prevista no esquema de lavagem cerebral de Lifton. O compromisso (a concordância em participar do experimento) aumentava gradualmente (choques cada vez mais fortes), envolvendo a vítima cada vez mais na situação, e tornando a saída (desistir e mandar o pesquisador para o inferno) cada vez mais difícil.
Outro fator que Kathleen Taylor cita em seu livro é que, quanto mais associações, ideias, opiniões, informações, experiências uma pessoa tiver, menos manipulável ela se torna. Desenvolver a criatividade, pensar sobre a vida, questionar o que é escutado e lido, aprender coisas novas, estudar as relações entre assuntos aparentemente não relacionados, tudo isso deixa o cérebro mais resistente a manipulações. Isso não significa apenas resistir a casos extremos de controle da mente mas também enxergar com senso crítico ao horário eleitoral, às conversas de bar e às mensagens publicitárias.
Claro, isso não significa que você precisa ter um pé atrás com toda opinião que for diferente da sua. Ser persuadido e mudar de ideia não tem problema nenhum. “Nossa vida social está construída sobre o controle psicológico que as pessoas têm sobre as outras. A todo momento influências externas fazem com que mudemos nossa atitude, dos aspectos mais banais aos mais sérios”, exemplifica o professor Cesar Ades, pesquisador do assunto na Universidade Católica de Goiânia. “Uma conversa com alguém que admiramos ou que tem autoridade sobre nós pode mudar de verdade nossas crenças.”
O importante é saber que nossa mente não está pronta e acabada, mas permanentemente em obras. Entender que somos influenciáveis e que nossa identidade é mutante nos torna mais espertos para avaliar uma tentativa de persuasão  com o córtex pré-frontal, por favor. 
vai que 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Como era o 'Natal' antes do nascimento de Jesus

 O título acima pode soar estranho uma vez que, para a sociedade contemporânea ocidental, parece claro que a origem do Natal é o nascimento daquele personagem, cerca de 2 mil anos atrás, chamado Jesus — e toda a construção religiosa que seria erguida a partir dele, muito embora a festa tenha sido apropriada como uma tradição até mesmo desvinculada de crenças.

Mas há diversos indícios de que as pessoas já comemoravam o Natal cerca de 7 mil anos antes de Cristo, o que faz dessa celebração quase tão antiga quanto o próprio conceito de civilização.

A explicação está nos marcos da natureza: afinal, se a ideia de civilização remonta às origens da agricultura, nada mais natural do que celebrar o solstício de inverno como um momento de renascimento, de renovação.

Claro, estamos pensando sob a ótica do hemisfério norte. O solstício de inverno, que ocorre nessa parte do globo nas proximidades do Natal, indica aquele momento em que a noite chega ao seu máximo — a partir daquele dia, o sol cada dia terá mais tempo para iluminar nosso planeta.

Em um tempo de precária ciência e de exagerada observação dos fenômenos naturais, o sinal era claro: a luz solar renascia nesse momento, aumentando em tempo e intensidade a cada dia desde então. E era o que propiciaria a agricultura da nova safra, a alimentação do ano vindouro.

No livro Religions of Rome, os historiadores Mary Beard e John North lembram que o período dedicado a celebrar o solstício era todo devotado a um deus — Mitra —, durava uma semana e era permeado por celebrações entre as famílias, com trocas de presentes e comilanças típicas. Nada diferente do Natal contemporâneo, portanto.

Oriundo da mitologia persa, Mitra era o deus da sabedoria, representando a luz, o bem sobre o mal.

Aos poucos, no mundo romano, foi dividindo espaço com outra divindade, Saturno: afinal, se era o começo de um "novo" sol, nada mais natural do que render graças àquele que era o deus da agricultura.

fonte :Como era o 'Natal' antes do nascimento de Jesus - BBC News Brasil

Adaptação Hedonica

  A adaptação hedônica (também conhecida como "esteira hedônica") é a tendência humana de retornar rapidamente a um nível base de...