sábado, 2 de julho de 2016
sábado, 4 de junho de 2016
Bom dia
Bom dia.
Quando uma ponte surpresa aparece no caminho, bem naquele lugar em que o mapa apontava um precipício, os peregrinos vão se aglomerando na beirada e começa a discussão: quem colocou aquela ponte ali? Ela vai mesmo encurtar o caminho? Ela é segura? Quantos de nós conseguimos passar ao mesmo tempo? Não é melhor seguir pela beirada e pelo trajeto mais longo? Alguém levanta a mão e diz: eu vou atravessar para ver no que dá! Sempre tem um ousado (ou corajoso) que assume o risco e segue em frente.
Diante do cenário de recessão profunda, quase depressão, desemprego em alta e caos político, mesmo quando algum indicador mostra que aconteceu uma acomodação aqui ou acolá, fica difícil admitir que ela é consistente e sinaliza uma curva no caminho. O economista chefe do Bradesco jogou todos os números disponíveis num modelo e encontrou “a ponte” no confuso mapa da economia brasileira. Em um relatório enviado a clientes nesta sexta-feira (03), Octávio de Barros apresentou uma revisão considerável em sua projeção para o crescimento do PIB em 2016: a queda será menor – de 3%, e não mais de 3,5% da projeção anterior.
Octávio de Barros resolveu desbravar a travessia daquela “ponte” assumindo os riscos embutidos na revisão de uma expectativa tão importante, representando um banco do tamanho do Bradesco, num ambiente em que outros “grandes” do mercado nacional e estrangeiro ainda regulam suas previsões para pior e não o contrário. Foi o que aconteceu nesta semana com a OCDE, num exemplo bem recente, que está mais pessimista e projeta queda mais profunda de 4,3% e de 1,7% do PIB para 2016 e 2017, respectivamente. Octávio de Barros pode não estar sozinho na percepção de que a recessão deve perder força a partir do segundo semestre, afinal, já no último relatório Focus, a média esperada pelos 100 analistas ouvidos pelo BC baixou de 3,83% para 3,81% para o tombo do PIB este ano.
No entanto, o economista do Bradesco partiu sozinho para travessia da “ponte” com um prognóstico mais ousado na intensidade esperada para melhora. O ponto de partida da análise de Barros foi a alta nos indicadores de confiança apontada nas coletas de abril. Outros dados também contribuíram para o resultado menos pessimista: queda dos estoques da indústria e do comércio, melhora dos preços de ativos financeiros, fluxo pedagiado nas estradas, emplacamento de veículos, vendas nos supermercados, entre outros.
“Desde o início do ano, os indicadores de atividade têm surpreendido positivamente, sugerindo uma estabilização da economia mais rápida do que o antecipado. A leitura dos indicadores é de que já devemos ver uma estabilização do PIB no segundo trimestre. De fato, projetamos agora variação nula do PIB na margem no segundo e terceiro trimestres, e uma expansão de 0,2% no último trimestre do ano. Para o ano, projetamos queda de 3,0% (anteriormente, projetávamos queda de 3,5%)”, diz o documento do banco.
No relatório enviado aos clientes, o economista do Bradesco afirma que o consumo das famílias vai seguir no campo negativo por mais um trimestre, mas deve se estabilizar a partir de julho – a despeito do desemprego. A redução da taxa de juros esperada para os próximos meses vai ter um papel importante para melhora das expectativas e da credibilidade do Banco Central. Outras variáveis econômicas fazem parte deste cenário construído por Octavio de Barros, mas, essencialmente, ele já enxerga um giro diferente na economia, que pode levar o país a caminhar lentamente para um ciclo mais positivo.
“Entendemos que o consumo se encontra, hoje, em patamar muito reduzido, em parte por justificativas precaucionais, diante da enorme incerteza sobre a taxa de desemprego. Na medida em que a economia começa a se estabilizar, essa incerteza diminui e o consumo pode se normalizar, mesmo com aumento do desemprego por alguns trimestres”, diz o relatório do Bradesco.
Que a “ponte” está lá, é fato. Se outros terão motivos suficientes para encará-la, ainda não sabemos. Mas alguém já partiu buscando um atalho para a recuperação da economia.
Fonte:http://g1.globo.com/economia/blog/thais-heredia/post/ponte-do-bradesco.html
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
Literatura.
A resenha que o diplomata Marcelo
O. Dantas escreveu sobre o livro de Flavio Cafiero deve ter passado
despercebida aos leitores do Yahoo. Literatura, hoje, é uma atividade
exercida por excêntricos, algo exótico e cada vez mais alheio e distante
daquilo que as estatísticas chamam de “brasileiro médio”. Uma
categoria, o brasileiro médio, que nada tem a ver com outra categoria -
dos “leitores”. Não se fabricam leitores em forno de pizza nem em
estatísticas. Infelizmente não podemos dizer o mesmo dos “escritores
brasileiros” - que por sua vez nada tem a ver com a literatura
brasileira, bom dizer.E quer queiram, quer não queiram, a literatura
prescinde de leitores para existir.
Já dizia Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”. Tá difícil. Se ele tratou da literatura oficial brasileira, aquela que “representou” o Brasil na Feira de Frankfurt, e que agora vai desfilar em Paris às custas dos impostos que pagamos com tanto sacrifício, se ele falou da literatura que tomou de assalto o Estado, se o diplomata se referiu a “literatura” que vive de cachecol e subsídios da lei Rouanet, concordo 100%.
Por outro lado, existe uma meia dúzia de excêntricos que - ainda - se ocupa de literatura de alta qualidade no Brasil.
Se eu for mencionar essa meia dúzia aqui, outra meia dúzia acolá vai estrebuchar de ódio e ressentimento. Portanto serei mais generoso, direi que existe uma dúzia de prosadores valiosos no Brasil. Uma dúzia mais um, vá lá.
O assunto é um campo minado. Acalmar nossos próprios egos e vaidades já é um problema, administrar o ego dos outros é um inferno. Bem, o que quero dizer é que fiquei incomodado com a resenha de Marcelo O. Dantas. E tenho muita vontade de recomendar alguns autores para que ele - pasmem - confirme seu diagnóstico.
São poucos diante de tantos espertalhões. Poucos que não surfam na mediocridade oficial e que não vivem às custas de subsídios do Estado, mas que fazem - ou deviam fazer - alguma diferença num país que, como nunca, carece de homens e livros.
Muito bem. Tenho cá uma lista de uma dúzia de autores contemporâneos (mais um) talentosíssimos que procuram urgentemente leitores e críticos sérios para serem lidos.
Não vou me alongar. Pretendo falar apenas sobre um. E vai ser por sorteio. No final do texto indicarei o nome dos outros doze para que o diplomata Marcelo O. Dantas fique com a impressão de que meu sorteio é o que é: parcial e seletivo, igualzinho as queixas dele.
…
Treze papeizinhos, cada um com um nome. Muito bem, vamos voar minha gente!
Peguei! Ah, deu mulher - a única entre os treze nomes! O nome dela é Marcia Denser, anota aí diplomata.
A literatura de Marcia Denser traz consigo uma beleza corrompida e um triturador de almas que, para o desapontamento da garotada que Marcelo O. Dantas acusa de entulhar as livrarias com morbidez e cara feia, jamais vai morrer. Márcia Denser, se me permitem um trocadilho com o estado de putrefação da literatura brasileira, é um encosto vivo.
Um íncubo que já não facilitava as coisas para homens e mulheres há mais de trinta anos, quando surgiu. Não sei se ela, hoje, é a mesma “Diana Caçadora” daquela época. Mas posso garantir que Marcia Denser antecipou a mulher que, trinta anos depois, sucumbiu a si mesma. Independência, alma e feminismo sem afetação não são mercadorias que se acham nas gôndolas de iogurtes e desnatados. Urgente, urgentíssimo hoje, aqui e agora, ler e reler “Diana Caçadora” e “Tango Fantasma”*.
Marcia não deve nada ao sexo nem ao sobrenatural e dispensa os efeitos especiais relacionados a um e outro. Ela é um ET no mundo em que vivemos e, paradoxalmente, o melhor espelho – ao contrário do que Diana Marini/Márcia Denser proclamava/proclama – o reto não é um fim em si mesmo.
Por isso é profética, é perene.
O tempo nunca vai passar para Diana Marini, alter ego de Márcia. O que poderia ser uma tragédia é uma tragédia mesmo. Quem sucumbe nessa história - repito - é a mulher de hoje antecipada por Márcia Denser nos anos oitenta. Tive essa convicção outra noite, quando, num desses botecos metidos a besta da Vila Madalena, uma japinha se “fresqueou” pro meu lado. Disse que “a fantasia” dela era ser puta de rua, dessas rampeiras, de “hotel barato”. Eu lembrei de “Diana Caçadora” e, meio que distraído, talvez para homenagear Márcia Denser, saquei vinte reais do bolso e me candidatei a ser o primeiro freguês. A japinha (quase trinta anos depois do genial “se ama tira a roupa”, do conto “Tigresa” deste mesmo “Diana Caçadora”) não me encarou.
Um contrassenso? Não, apenas a arte atropelando a vida - geralmente o que acontece é o contrário. Marcia Denser, em suma, é a mulher além da mulher que pode “acabar fascinando Drácula em pessoa, sem dar pela coisa”.
Um dado. Conheci escritora e obra depois de ter escrito os livros que ela poderia ter escrito, e compreendi (não obstante e a despeito da maldição Márcia/Diana) que, mais importante do que ter ou sofrer de influências – ainda que tardias e nos lugares errados – é se livrar delas. Para tanto, creio que não dá para prescindir do confronto e não dá para prescindir da vida asquerosa e pedinte que insiste em prevalecer diante da morte. A literatura de Márcia Denser, sob este aspecto, antes de se insurgir contra as mediocridades e babaquices generalizadas e a guerra iníqua dos sexos, antes disso e de qualquer analogia estéril, sempre tratará, a meu ver, de uma condenação dividida entre poucos. Os que realmente interessam e ficam, anotou aí diplomata?
Segue a lista com os outros doze prosadores contemporâneos em atividade ( creio que seria redundância incluir Carlos Heitor Cony, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca):
1. Reinaldo Moraes - “Pornopopéia”
2. Juliano Garcia Pessanha - “Certeza do Agora”
3. Marcio Américo - “Meninos de Kichute”
4. Nilo Oliveira - “Pornografia Pessoal de um Ilusionista Fracassado”
5. Andre Sant’Anna- “Amor” e “Sexo”
6. Furio Lonza - “Crossroads”
7. Sergio Sant’Anna- ” O Monstro”
8. Rubens Figueiredo - “Contos de Pedro”
9. Bernardo Carvalho - “Nove Noites”
10. Sou obrigado a incluir meu nome na lista, seria muita falsa modéstia não fazê-lo, e o farei logo com três títulos - “O Azul do Filho Morto”, “Bangalô” e “Joana a contragosto”
11. Jason Tércio - “O órfão da Tempestade” - o fato de Jason se manifestar “em biografias” ( nesse caso a biografia de Carlinhos Oliveira) não o desqualifica como excelente prosador.
12. Ricardo Lísias - embora tenha alguns títulos soníferos, indico “Anna O. e outras novelas”
* texto inspirado a partir da orelha que eu mesmo escrevi para de “Diana/Tango” de Marcia Denser (Ateliê editorial,2003)
REproduzido do site:
Fonte https://br.noticias.yahoo.com/blogs/marcelo-mirisola/uma-duzia-mais-um-183447272.html
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Biblia on line
Salmos 23
4
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal
algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
6
SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pela
Salmos 23:1-3
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pela
Salmos 23:1-3
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O CORDEL SOBRE O BIG BROTHER É com um prazer inenarrável que encaminho este cordel. E quem concordar com o Antônio Barreto, passe-o adiante....

